quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Presente deve acompanhar o desenvolvimento da criança

Por Priscila Caldeira - Equipe BBel
Publicado em 06/10/2011

Importância do brincar


                                                                                                        Shutterstock

Em datas comemorativas como o dia das crianças, os presentes costumam fazer parte do agrado dos pais. Mas, além de oferecer alegrias para os pequenos, é preciso pensar nos benefícios que o presente irá gerar.

"É importante presentear, mas o excesso desvaloriza a intenção e reforça o consumo. Melhor dar menos presentes nas datas significativas e escolher aqueles que não são apenas um apelo publicitário do que, depois de algumas horas, a criança esquecer", afirma a educadora e consultora pedagógica da Faber-Castell, Lourdes Atié.

Para ela, o dia das crianças deveria ser entendido como o dia oficial para se brincar e não ser lembrado como uma data para se oferecer dinheiro para a criança. "Pais e filhos devem brincar juntos. É jogar bola, inventar reinos distantes, ler livros, desenhar juntos, recortar, colorir, pintar, rir dos desenhos. Enfim, se divertir".

Mas, se escolher um presente é indispensável, a adequação dele à faixa etária e à característica de propiciar diversão e aprendizagem são fatores primordiais a serem levados em conta. Conforme as especialistas consultadas, a regra é válida para a oferta de presentes de cunho tecnológico, que também precisam ter os limites de tempo de uso estabelecidos.

Como escolher o presente da criança para uma data especial?

 Adequação à faixa etária


                                                                                                            Shutterstock

Para presentear uma criança com um celular, por exemplo, é necessário primeiro avaliar a necessidade de ela possuir um aparelho. A justificativa dos pais de querer monitorar sua rotina nem sempre é a melhor saída. "Uma criança com sete anos é muito nova para a responsabilidade que um celular exige. Ela precisa saber fazer o uso adequado do aparelho, não no que diz respeito à forma de manuseá-lo (já que elas parecem nascer sabendo), mas no que diz respeito a sua utilidade em lugares adequados e de acordo com a frequência necessária", avalia a psicóloga Marjorie Vicente.

Os pais também devem saber separar o que é pertencente aos filhos em termos de sentimentos, preocupações e desejos. Quando os filhos começam a sair sozinhos, na pré-adolescência, por exemplo, e os pais ficam preocupados em saber se estão bem, se deu tudo certo no percurso dos passeios ou que horas devem buscá-los, o uso do celular se faz adequado. "Também colabora para um senso de responsabilidade de acordo com as normas de uso", avalia.

O equipamento em si não é o problema, mas sim o uso e o tempo de utilização. "Da mesma forma que não podemos passar o dia debaixo do chuveiro, ou comendo sem parar, não podemos passar o dia no computador. Nada em excesso faz bem", diz Lourdes Atié.

"Os pais devem monitorar o número de horas que o adolescente passa em frente ao computador em sites de relacionamento e bate-papo em detrimento do tempo que deveria usá-lo como meio de pesquisa e estudo", frisa Marjorie.

O privilégio de poder usar a máquina em almoços familiares ou em viagens de lazer também é um sinal de que os pais precisam ficar atentos. "O equilíbrio é sempre uma boa medida para saber se estamos no caminho certo".

Outra situação comum é os pais presentearem de acordo com o desejo do filho. Neste caso, é importante que eles entendam o motivo do interesse da criança pelo produto. "A publicidade atua de forma agressiva com as crianças e os colegas de escola são 'cruéis' quando desejam excluir quem não possui os mesmos recursos. Ao invés de só prover financeiramente, é importante que os pais procurem saber exatamente o que está acontecendo com os seus filhos", conta Marjorie.

Brincar x adultizar


                                                                                                      Shutterstock

As atitudes precoces de uma criança, como o interesse das meninas em fazer maquiagem e vestirem-se como mulher, devem ser controladas pela família. De acordo com a psicóloga Claudia Marinho, o fato de dar um presente não necessariamente vai refletir no processo de "adultização". "Tornar a criança adulta não é pontual a objetos. Os pais devem permitir que ela aproveite a infância e viva suas experiências", ressalta.

E como estimular uma infância sadia dos filhos? Conforme a psicóloga Marjorie Vicente, ensinando-os a questionar o consumismo e praticar o desapego. Por exemplo, estimulando-os a doar um brinquedo velho cada vez que se ganha um novo.

Não tornar o ato de receber a única recompensa prazerosa em datas comemorativas também serve de estímulo para que as crianças compreendam a importância da esfera familiar e dos passeios que podem ser realizados nestes dias. "A reunião familiar, o simples fato de estarem juntos, o abraço carinhoso, o beijo e uma cartinha devem entrar em cena", diz Marjorie.

A ideia de condicionar a atitude da criança a um ganho pode, de acordo com a psicóloga Claudia Marinho, afetar seus relacionamentos e torná-los descartáveis à medida que não forem interessantes para ela. Para Claudia, a noção de valor de presentes deve ser passada à criança que está em idade escolar. "O consumismo é estabelecido pela falta de noção de valor. Por isso, é importante os pais orientarem os filhos nesse sentido".

Possibilitar maior tempo para brincadeiras entre pais e filhos é a sugestão da educadora Lourdes Atié. "As crianças estão com agendas de atividades como executivos. Ficar à toa é fundamental. Nada de vesti-los como adultos", finaliza.

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